Em uma bela noite chuvosa sem ter o que fazer, sem lenço e sem documento, Trubufu e Pig, depois de um longo processo de planejamento, resolveram sair para roubar placas: placas de trânsito, placas com nomes de ruas, placas de casas da Escola de Minas, qualquer uma que pudesse acrescentar mais um pontinho aos seus currículos. Andaram sem destino pela cidade até encontrarem uma que lhes agradasse. Trubufu subiu nos ombros do Pig e começou a desparafusar a placa.
Pig, grande e forte como era e também porque não suportava mais aquele objeto não identificado que lhe cutucava a nuca, não suportou o peso do Trubufu, magrinho como sempre esteve, que acabou indo ao chão e batendo a cabeça no meio-fio (ou guia para os paulistas). Mais do que rápido, Pig tentou acordá-lo e como não conseguiu pediu ajuda a um motorista que passava naquele local e levou-o desmaiado para a Santa Casa de Ouro Preto. Quando finalmente acordou, Trubufu não se lembrava de nada:
- Placa, que placa? Quem é você? Jura que eu disse que era palmeirense?
Desesperado e com a consciência pesada, Pig ligou para república e pediu ajuda ao Delano, que possuía um possante Chevette amarelo. Com muita dificuldade, os dois conseguiram levar o Trubufu para casa. Chegando à república, Delano acordou o Mala para avaliarem quais providências deveriam tomar. Mala, achando que era trote, virou de lado e continuou a dormir. Após muita insistência e para livrar-se do chato do Delano, levantou-se e foi ver o Trubufu. Ao chegar ao quarto, os dois o encontraram meio abobalhado, com o olhar perdido, analisando algumas fotos dele com a família. A única pessoa que ele reconhecia era o cachorro (do pai e da mãe não deu nem notícia). Decidiram que o melhor a fazer seria ligar para a irmã dele ao amanhecer, contar o acontecido e aguardar por instruções.
Nesse meio tempo, começaram a caminhar com o Trubufu pela casa para ver se ele se lembrava de alguma coisa. Ao entrar no quarto do Mala e do Delano, ele soltou a pérola:
- Esse lugar me lembra a pão e doce!!!
Foi o suficiente para que se restabelecesse a paz dentro do quarto, pois há meses Mala e Delano brigavam. Delano acusava o Mala de lhe roubar os doces e o Mala o acusava de roubar as roscas e os biscoitos que trazia de casa. Finalmente o ladrão havia sido descoberto.
Ao amanhecer ligaram para a irmã do Trubufu, que pediu que o transferissem imediatamente para São Paulo. E la pagaria a passagem do irmão e do acompanhante. Com o dinheiro depositado na conta do Delano, começaram os preparativos para a viagem.
Enquanto trocava de roupa, Trubufu, calçando apenas meias, escutou o telefone tocar e resolveu atendê-lo. Ao descer as escadas, levou um tombo e bateu a cabeça. Milagrosamente, sua memória voltou! Já se lembrava que não era mais palmeirense, já sabia dos nomes de seus pais e dos moradores de cada quarto da casa, mas mesmo assim resolveram levá-lo a Belo Horizonte para uma consulta com um médico.
Para tão importante missão, foi montada uma comitiva de notáveis que seguiu para BH no fusquinha do Costinha. A comitiva era formada por Costinha ao volante e Mala de sapo, com a justificativa de que precisava passar em casa para pegar mais rosquinhas. Após a consulta e uma passada na casa da dona Terezinha, onde Mala se reabasteceu de rosca e biscoito, voltaram todos para Ouro Preto. É claro que pararam no meio do caminho para comer um rodízio e tomarem umas cervejinhas com o dinheiro das passagens, já que ninguém é de ferro!
Da consulta ainda não saiu o diagnóstico definitivo. O médico, após minucioso exame, pediu que voltassem caso o paciente batesse a cabeça novamente. Levou o caso para um congresso de medicina, onde foi alvo de chacota de seus colegas, sendo taxado de mentiroso e quase teve o seu CRM cassado.
Caiafa, com colaboração do Mala
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