Finalmente estava se aproximando o dia em que o Bacurau poderia colar sem preocupações de ser pego pelos professores: A colação de grau. Como sempre foi muito ativo, participou de mais de um mandato de diretoria do CAEM. Sempre estava agitando e organizando festas na república e é claro que ele não poderia ficar de fora da comissão de formatura.
A “cola” foi citada pois o Bacurau tinha uma habilidade incrível para colar. A sua modalidade favorita era a do tipo sanfona. Ele fazia várias sanfonas com uma letra miudinha para caber bastante matéria. Muitos se perguntavam: Será que não é mais fácil estudar do que fazer estas sanfonas quilométricas? Eram tão bem detalhadas e bem feitas, que ele até emprestava para outros colegas.
Um certo dia, um republicano pegou uma cola que ele tinha feito. Era da matéria de fundição. Com a letra miudinha que só ele era capaz de fazer, lá estava detalhadamente escrito:
“P: O que é areia nova?
R: É aquela que nunca foi usada.
P: O que é areia usada?
R: É aquela que já foi usada pelo menos uma vez.”
Voltemos à história da comissão de formatura. Naquele tempo, as importações eram muito restritas. Os produtos considerados supérfluos tinham a sua importação proibida, entre ele o whisky. As pessoas que gostavam de whisky costumavam ter um contrabandista de confiança. Quando estavam com os amigos, faziam recomendações de contrabandistas, como hoje fazemos de médicos e dentistas. Ter um contrabandista de confiança era algo muito valioso, já que eram muito comuns as falsificações de whisky.
Num dia das semanas finais que antecederam sua formatura, um pulgatoriano passava por perto do telefone da república quando se deparou com um inusitado diálogo do Bacurau com um de seus colegas da comissão organizadora:
- Fica tranquilo, que eu já comprei os whiskys para o baile de formatura. Coisa fina, que eu preciso fechar a Escolinha com chave de ouro! O whisky é falsificado, mas a marca é boa!
Até os dias de hoje, quando essa história é lembrada, ele tenta justificar, sem sucesso, que a qualidade do whisky falsificado também melhorava quando a marca era mais famosa.
Fininho
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