terça-feira, 21 de abril de 2009

TIRISCO

Para quem não é seu contemporâneo, parece inacreditável, mas o Tirisco nunca morou na Pulgatório. Esta foi certamente a maior perda de oportunidade que a república já teve. Oportunidade de convivência com um cara que é amigo de todos desde sempre e que só traz alegria e descontração quando aparece. Que ele é pulgatoriano, ninguém duvida, e o retrato está lá na parede como comprovação. Retrato colocado com bastante atraso, vários anos depois de sua formatura. Mas antes tarde do que nunca!

Tirisco chegou em Ouro Preto em 1980. O apelido é uma obviedade. Se o quase cinquentão ainda tem cara de moleque, imaginem sua expressão quando iniciou o curso de geologia, aos dezoito anos. Ele tinha a aparência e as atitudes de uma criança de quinze: deslumbramento com a liberdade, inconsequência e alegria. Muita alegria. Vivia rindo, como se estivesse por ali a passeio, apenas para curtir as festas, as meninas e os amigos da cidade louca onde havia caído depois de sair lá de Lins, no interiorzão de São Paulo Na verdade, ele esteve mesmo a passeio por uns bons anos...

Desde o primeiro dia, foi com a Pulgatório que ele se identificou. O bicho se estabeleceu no quartão junto com duas outras aves raras (Gengis Khan e Frei da Massa) e não perdeu tempo batalhando vaga em outras repúblicas. Adorava a Pulga e era ali que queria morar. Por motivos que se perderam no tempo, a república não o escolheu. Tirisco se mudou para uma casa alugada com outros amigos e continuou nos frequentando diariamente, com a mesma alegria. Ele sentia o lugar como seu e novas vagas certamente apareceriam no semestre seguinte.

Vários semestres se passaram e, um pouco por inércia, um pouco (muito pouco) pelo estudo, um dia Tirisco se formou geólogo. Como diria Gilberto Gil: “Sempre rindo e sempre cantando!”. Mudou-se para Santos, casou-se e teve outros filhos. O primeiro ele havia fabricado ainda em Ouro Preto. Vinte anos se passaram e Tirisco, para nossa felicidade, está aí conosco. Tão pulgatoriano como sempre, tão presente como os mais assíduos de nós, tão alegre quanto os bichos recém-chegados.

Como diz a velha musiquinha:
“Tim-tim, tim-tim,
Tim-tim, ó lá-lá!
Quem não gosta dele,
de quem gostará?”

Caruncho

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