terça-feira, 21 de abril de 2009

IRAJÁ PÊNIS CLUBE

Numa Semana Santa dos primeiros anos da década de 1980, a Pulgatório recebeu uma excursão “sui generis”. Apesar de alegria, empolgação e predisposição para a paquera serem requisitos quase obrigatórios para qualquer jovem turista, aquela turma de cariocas do Irajá tinha algo a mais: uma fome insaciável de sexo. Os moradores da república se surpreenderam com a velocidade com que todos se arrumaram logo nas primeiras horas da primeira noite de festa do feriado. As moças não precisaram de muito estímulo para cair no samba, na cachaça e nos braços dos felizardos pulgatorianos. Sem perder tempo com rodeios, elas sabiam a que vinham naquela viagem a Ouro Preto. E vieram com todo o gás.

Moças cariocas. Bronzeadas, extrovertidas e de corpos perfeitos. Apesar da alegria, os rapazes da casa demonstravam uns para os outros um certo incômodo com a situação. Nas almas machistas de quem fora criado sob a moral e os bons costumes dos interiores de Minas, São Paulo e Goiás, aquelas meninas eram fáceis demais; e isto não parecia certo. Transformando o estranhamento em deboche, apelidaram a turma de “Irajá Pênis Clube”.

É claro que os pudores moralistas da rapaziada não foram sequer notados pelas moças, que obviamente também nunca suspeitaram do título honorífico da agremiação. Elas exercitaram sua liberdade e sua emancipação com vontade. Enquanto os ingênuos pulgas achavam que estavam se dando bem, eram elas que ditavam quando e com quem se envolveriam. E várias delas tiveram tempo para experimentar mais de um pulga naqueles poucos dias...

De todas as moças, uma se destacava pela personalidade resoluta. Uma morena baixinha, de corpo mignon e cabelos curtos a quem chamaremos de Catarina, pelo poder despótico que exercia sobre qualquer homem. Com franqueza desconhecida naquelas Minas Gerais, ela encarava seu escolhido e fazia questão de dizer em público, em alto e bom som, que era com ele que passaria a noite. Foi merecidamente nomeada a presidente do IPC.

E as sócias do clube gostaram tanto da receptividade que passaram a ser frequentadoras assíduas da república. Por mais de dez anos, em qualquer feriado prolongado a presença das meninas do Irajá Pênis Clube era garantida. A cada viagem apareciam novas moças e outras deixavam de vir, mas Catarina estava sempre entre elas. Como já era tratada como uma pulgatoriana honorária, com toda a deferência que seu vasto currículo merecia, costumava chamar de estagiárias aquelas que vinham pela primeira vez. E tinha zelo especial por iniciar as novatas na arte da sedução.

Os anos passam, as pessoas descobrem novos interesses e acabam tomando novos rumos na vida. E um dia Catarina deixou de nos visitar e dela não tivemos mais notícia. Era o fim de uma era. Mas quem viveu aqueles anos 80 terá sempre uma dívida de carinho com as dadivosas moças do Irajá Pênis Clube.

Caruncho

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Você pode comentar à vontade, pode ser contra ou bater palmas - não vai fazer diferença alguma!