terça-feira, 21 de abril de 2009

VAI UM ORÉGANO, AÍ?

O 100 noção sempre foi sem noção, justificando o apelido. Ele alterna momentos de extrema lucidez com pensamentos e ações dignos de um hóspede de um sanatório. Um dos apelidos mais bem escolhidos da república. Certa vez alguém entregou-lhe dois reais e o pediu para comprar orégano para colocarmos no queijo que seria servido de tira-gosto. Sempre muito solícito, ele atendeu prontamente.

Continuamos na cozinha tomando cerveja aguardando a encomenda. Porém, nos assustamos quando, na volta, o 100 noção portava uma sacola de supermercado lotada de orégano. Perguntamos para que aquilo tudo de orégano e ele na maior inocência disse que tinha só obedecido ordens e que aquilo foi exatamente o que tinha dado pra comprar com 2 reais. Aquela sacola ficou na cozinha por um bom tempo. Arroz, misto-quente, miojo... Tudo que fazíamos tinha orégano no meio. Era comum o cheiro de pizza pela casa o dia inteiro.

Certa vez fizemos um social que é uma festa com apenas uma república feminina convidada. Serve para aproximar as repúblicas, mas claro, pensando em uma futura guerra. No final de dessa festa que, pra nossa infelicidade, havia realmente sido bem social tendo apenas conversa fiada e menos bagunça, as meninas se despedem e educadamente nos convidam para ir visitá-las em breve. O 100 noção que parecia não ter conversado com as meninas a noite inteira, pergunta-lhes de que república elas eram.

Outra mostra do quanto ele é desligado aconteceu numa sessão de serenatas. Havíamos tentado entrar em várias repúblicas do campus sem sucesso. Quando finalmente alguém abriu a porta pra gente, ele agradeceu dizendo que todas as outras que passamos ninguém tinha dado confiança. Ou seja, elas eram o que tinha sobrado.

Pitako

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