terça-feira, 21 de abril de 2009

A SALA NÃO É LUGAR DE COMER, É LUGAR DE PEIDAR

É fascinante como a flatulência aumenta proporcionalmente à quantidade de amigos que estão te rodeando no momento. A vontade de fazê-los cheirar merda gasosa é impressionante. E não interessa onde esteja. Quanto mais incomodar melhor. Então peidar perto de alguém fazendo uma refeição está entre as favoritas da Pulgatório. Outra corriqueira é o peido que atrapalha o "bonde" da cozinha depois da aula da tarde durante o café. E quanto mais gente melhor. Ou seja, nada como um peido na sala com quase todo mundo assistindo jornal nacional, e se for novela ou BBB, a quantidade de gente dobra. A bixarada pode até peidar, mas sempre sofrem as conseqüências. E contar que esta peidando é só para os mais velhos.

Mas sempre é preciso se certificar de que não haja mulheres na sala, a não ser quando ela é a SUA mulher. Nesse caso ela provavelmente já estará acostumada, mesmo por já conhecer a "cabaninha". Arte passada de geração em geração dentro da república onde o dito cujo solta um pum debaixo da coberta e tampa a cabeça dos dois para respirarem ar quente. O pior é que ainda soltam a pérola:
- Cheira a sua parte, mulher !!!

O problema é que as vezes as coisas extrapolam o controle do peidorreiro. Sempre ouvi histórias de que o Sassá havia sido o maior peidorreiro da república. De acordo com histórias, seu ambiente preferencial era a sala, principalmente quando alguém estava almoçando. Se alguém reclamava, ele dizia a frase que dá título a esse texto. E até hoje ele é assim.

Diz a lenda que certa vez alguém almoçava na sala sentado no sofá da parede da copa bem na beirada, perto da porta. Então veio o Sassá atravessando a sala em direção a cozinha. Quando passou do lado do coitado que almoçava, soltou um peido caprichado, daqueles em que se faz força. O pior nessa ocasião no foi o cheiro.... O pior foi a farinha que estava no prato ter voado de tão forte e certeiro que havia sido aquele jato de ar.

O peidorreiro-mor da minha época era o Praga. Várias vezes ele começava um peido e tinha que correr pro banheiro porque o que estava vindo não era bosta gasosa, e sim um peido molhado. O estado físico da ventosidade emitida pelo ânus altera em cada organismo, principalmente devido à comida ingerida. Mas no caso do Praga, devia ser algo crônico, pois isso acontecia com grande freqüência. E sempre tem os engraçadinhos que gostam de avisar.

Quando morava em um dos quartos da diretoria (andares abaixo do nível da rua), O Xyko Naia começou com uma mania de subir as escadas cantando: "vou peidar e vocês vão cheirar, vou peidar e vocês vão cheirar." Pelo menos ele dava tempo, para quem estivesse presente, de tampar o nariz antes que o gás venenoso tomasse conta da sala.

O problema foi quando o PSDB, malandrão que é, resolveu imitá-lo. Acordou em um domingo à tarde depois de uma noitada regada a bebidas de procedência duvidosa que nem a ANS (agencia nacional de saúde) e nem o FDA (o órgão americano que controla medicamentos) sabiam quais os efeitos daquilo no estômago de uma pessoa. O coquetel costumava ser pinga do Agatão, vodka que custava 2,00 cada garrafa e o recipiente era de plástico, conhaque do CAEM, cerveja Local, etc. Sua barriga devia estar estufada de tanto gás que ele estava aguardando para liberá-lo e compartilhar com seus amigos.

Para fazer gracinha e sabendo que guardava uma bomba, subiu cantarolando a antiga musiquinha. Mas quando os moradores que estavam na sala ouviram sua voz vindo da escada, ao invés de saírem correndo fizeram questão de esperar que ele alcançasse o ultimo degrau. Quando ele chegou na sala e se virou pra cozinha teve que mudar a música. A nova versão era: "não vou peidar e vocês não vão cheirar".

O motivo da mudança é que algumas calouras de uma república feminina estavam visitando a casa e presentes na sala naquele exato momento sentadas no sofá da parede de ex-alunos. A cara que ele estava quando foi cumprimentar as mocinhas foi uma das expressões mais desconcertantes que pude presenciar em todo o tempo de Pulgatório.

O Previnido era um que gostava de soltar um peido escandaloso. Sempre fazia pose pra mostrar que iria peidar e fazia barulho suficiente para alguém achar que estava tendo sambão na república. Mas certa vez foi enganado pela sua distração. Estávamos assistindo filme na sala e era alta a concentração de pessoas. Excelente oportunidade para um peido ainda mais que ninguém sairia pra não perder parte do filme. Ele estava sentado no sofá e havia alguns deitados em colchões no chão da sala. Para que o peido fosse mais artístico possível, ele levantou as duas pernas para o alto e fez seu barulho característico. Porém quando ele abaixou a perna e olhou pro chão, viu que um dos moradores estava acompanhado da mocinha com quem estava de rolo na época. Na mesma hora ele deu um pulo e correu pro banheiro. Ao voltar, pediu desculpas e mentiu descaradamente dizendo que não tinha conseguido segurar.

Pitako

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