terça-feira, 21 de abril de 2009

BILLY, THE KID

Toma o primeiro copo de cerveja como qualquer cidadão comum. No segundo, enquanto um olho mira para um lado, o outro mira para o outro, a noção de equilíbrio fica prejudicada, o corpo fica meio inclinado para um lado e o copo meio inclinado para o outro. Consegue tomar a metade, a outra metade derruba no chão, na mesa, nas pessoas, etc. O terceiro copo cai da mão e quebra. Achando tudo isto muito natural, berra em alto e bom tom:
- Bicharada, cadê o meu copo???

E os infelizes bichos começam a trazer mais um copo, mais outro, mais outro, até Billy cair ou resolver assumir os instrumentos da banda pra puxar o hino da república. Naquele dia não havia festa na república, mas mesmo assim conseguiu chegar ao terceiro copo, colocou uma peruca loura, traje social (camiseta, short e sandálias havaianas), assumiu o lado Billy da personalidade e convocou todos ao CAEM. Como era o decano da casa, não discutiram sua orientação:
- Bicharada, todos marchando atrás de mim!!!

E a quase procissão subiu a rua Direita, rumo ao CAEM. Eram três passos para frente, um para trás e dois para o lado. A culpa, obviamente, era da rua que, além de torta, não parava de se mexer. E havia também exércitos marchando em sentido contrário, em total desrespeito às mais elementares regras de procedimentos sociais. De vez em quando parava e corrigia algum pulga que não estava se comportando adequadamente. Seguia à frente, peito estufado, marchando garbosamente, um pé sobre a calçada e outro na parte carroçável da rua, quando alguém lhe perguntou a razão daquele procedimento. Com os olhos vidrados, fitando dois infinitos em ângulo reto, derramando a metade da bebida no chão, respondeu algo quase ininteligível. Em uma tradução liberal, seria algo parecido com:
- Pé em cima, pé embaixo, porra nenhuma. É que uma perna é mais curta do que a outra mesmo!

Se antes já era motivo de piada, a partir daí a coisa ficou escrachada. A bicharada percebeu o estado etílico de seu comandante e passou a dar-lhe cada vez mais corda:
- Ei, Billy, olha aquele frango...

E o Billy, fazendo do dedo a simulação do cano de uma arma, saía atirando em direção ao alvo apontado. O bicho, pretensamente atingido, era obrigado a se jogar no chão, em plena rua Direita e rolar várias vezes, até o Billy conferir-lhe o atestado de óbito. E a corda continuava. Abria os braços, estufava o peito de pombo e berrava:
- Bicharada, cadê o meu copo???

Nos últimos tempos notamos uma sensível mudança no comportamento do Billy: não consegue chegar mais ao terceiro copo. No segundo já proporciona o festival de zorra total que faz a alegria e o desespero dos que lhe estão próximos. No começo ainda colocávamos o Edinanci para vigiar seus passos, depois chegamos à conclusão que isto era irrelevante, ele sempre vai achar um jeito de libertar o Billy the Kid que traz dentro de si. Seja porque vai entrar no espaço reservado da banda e tentar tomar os instrumentos do músico, seja porque vai cair atrás da pilha de colchonetes e somente ser descoberto no dia seguinte.

Santa Amanda, rezamos por você!

Caiafa, com a colaboração de Xyko Naia

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