O Bloco da “Ladera” foi lançado no carnaval de 2002 pela união das repúblicas Pulgatório, Quitandinha e Baviera, por causa da decepção gerada pelo Bloco do Caixão e Bloco das Lajes. Isto é, a Pulgatório e Quitandinha ficaram insatisfeitas com as atitudes de alguns moradores da república Necrotério e a Baviera foi expulsa do bloco das Lajes. O Bloco do Caixão havia saído pela primeira vez em 1976, tendo oficialmente comemorado seus 30 anos em 2006, embora alguns de seus atuais integrantes tentem reescrever a história. Desde o seu início, além da Necrotério também a Pulgatório tomou parte ativa nos destinos do bloco, porém, no carnaval de 2001 o Bloco do Caixão se profissionalizou. Virou uma S/A com faturamento muito além da receita da própria Necrotério e impediu a bandeira da Pulgatório de sair no bloco. Foi o início do racha.
E aí nos juntamos com os amigos da Baviera e Quitandinha e realizamos o sonho. Já no primeiro ano, o bloco foi um sucesso. Quanto ao local da concentração, fizemos um sorteio e em 2002 ficou do bloco sair da Baviera, 2003 da Pulgatório, 2004 da Quitandinha e repetiria a seqüência. Mas o bloco cresceu tanto que foi necessário arrumar um local maior, fechado, próximo às repúblicas e no centro histórico. Aí surgiu o colégio Dom Pedro. A cerveja estava gelada e tinha mais de 200 engradados de garrafas. Fizemos uma parceria com a galera da Escola de Samba Sinhá Olímpia, a Escola de Samba Campeã e a melhor bateria de Ouro Preto. Os integrantes eram todos nativos e queriam muito entrar nesta festa, tomar todas e curtir conosco.
Eram os últimos meses do Discoteca, Mudim e Xyko como moradores, Jorge, Matraca e Vampeta estavam curtindo o penúltimo período e restava a bicharada: Pinoxê, Conversado, Pitako, Previnido, Kaninana, PSDB, Whisky, Praga, Sidane, Slot. A Pulga, como sempre, enfeitada de mulheres lindas, 215 engradados de cerveja mantidas em cinco freezers, empolgação geral, exalas e amigos nessa confraternização, guerra geral em todos os lados e todos se dando bem. A cada carnaval chegava-se à conclusão de que aquele era o melhor de todos e aquele ano, o último como morador, realmente ficou marcado como o melhor carnaval de todos os tempos. Aperta o coração só de lembrar quanta felicidade. Além de eu ter sido considerado o melhor guerreiro. Modéstia à parte, fui bom mesmo!
Então, subimos para a Baviera logo cedo, bem depois do café da manhã (que também era cerveja gelada) e ficamos organizando as coisas, verificando a cerveja, recebendo a galera, fazendo o social com a mulherada, falando todas as borrachas possíveis, pelando o saco da bicharada. O álcool já subia e a baba já escorria cerveja pra todos os lados. Depois de uma tarde inteira de concentração, lá pelas 5 horas, colocamos o bloco na rua. Juntamos todos em frente à Baviera e ecoou o som da bateria. Esta só tinha profissionais e estava muito bem ensaiada. Comissão de frente composta por um monte de gatinhas, a bicharada com as bandeiras agitadas, depois estava a bateria perfeita e logo após a galera geral agitando, curtindo, remexendo, estremecendo, arrepiando o público e carregando aqueles bules, panelas, garrafas, todos cheios de cerveja. Naquele momento houve uma pequena preocupação em organizar o bloco, puxando e parando a galera, tentando não encontrar com outros blocos no meio das ladeiras, principalmente o Bloco das Lajes, pois ali poderia rolar até mesmo uma desavença com o pessoal da Baviera, principalmente com todo aquele estoque de cerveja no sangue e nos recipientes.
Atravessamos a praça Tiradentes e o bloco triplicou de tamanho. Descemos a rua das Flores estremecendo tudo. Entramos na rua São José e fizemos uma pausa em frente ao cinema, para deixar um bloco qualquer passar, mas a bateria não cessou um só momento. Foi necessário formar um cordão em volta da bateria, pois a multidão só queria chegar perto e precisamos abrir espaço para retomar o trajeto e subir a rua Direita. Aqui a bateria deixou a galera ensurdecida, a subida foi lenta, o agito foi grande e então chegamos à praça Tiradentes, demos a Volta Olímpica, sucesso absoluto, dever cumprido, sonho realizado!
Xyko Naia
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