terça-feira, 21 de abril de 2009

CACHORRADA EM LAVRAS NOVAS

Queríamos ter um final de semana diferente, longe da zoeira da república e sem ter nada com que se preocupar. Programamos passar um final de semana em Lavras Novas. Alugamos uma casinha e chamamos a mulherada, porque afinal, ninguém é de ferro. Providenciamos tudo e fomos para lá. Durante o dia Xyko pegou emprestado o carro da PMM (Prefeitura Municipal de Mariana) e levou um pouco da bagulhada. À tarde, continuando seu bico de motorista, Xyko pegou o Monkey Car e levou uma parte da galera, inclusive a Taci Louca. Monkey Car era aquele Monza que o Previnido mantinha estacionado na porta de república, na esperança de um dia ainda comer alguém, ou pelo menos usá-lo na hora de fugir de sua eterna namorada. Taci Louca era uma amiga da república que tinha este apelido porque babava e rasgava dinheiro em seu estágio normal. De tão louca, chegou a ser até namorada do Slot, mas este não cumpriu com o esperado, levando a moça a uma grave crise existencial (será que o problema sou eu?).

Na volta para pegar o restante da turma, sem cinto de segurança, sem óculos e em alta velocidade, Xyko foi parado por uma blitz da PM. Parado meio a contragosto, quase um quilômetro depois, quando entendeu que era com ele que o policial estava falando:
- Seus documentos e os documentos do carro!

E os policiais começaram a pensar que o caso era mais sério do que parecia a princípio. O carro por si só já era meio estranho, mais estranho ainda ficou quando se verificou que as placas eram de Presidente Prudente, o documento do carro era de Vitória e quem dirigia não era o proprietário.
- Desça do carro, por favor.

Começou então a revista em busca de drogas, armas ou qualquer outro vestígio de suspeição. Faltou pouco para que o Monkey Car fosse desmanchado ali mesmo na beira da estrada. Até que um dos policiais achou um papel e questionou:
- O que é isto? Mala, Cabeção, Discoteca, cadê o resto do bando?
- Tô limpo brother! Isto aí são apenas pessoas comuns, tem até ex-aluno da Escola de Minas aí nesta lista...

Os policiais não encontraram nada além disto e não conseguiram sequer saber se o carro era roubado ou não. De tão bêbado e trêmulo, Xyko mal conseguia reproduzir o próprio nome. Mandaram então ele seguir para a delegacia. Depois de horas, liberaram o carro e o motorista, sem problema algum.

Juntamos umas 15 pessoas na casinha e a algazarra foi fantástica na primeira noite. Mas a suruba só aconteceu no terreiro. Uma cachorrinha no cio enfrentou valentemente o assédio de vários cachorrões, cada qual mais tarado do que o outro. A orgia estava tão animada e o pessoal tão à vontade que até um dos participantes da festa resolveu brincar de cachorro, ficando de quatro e misturando-se à cachorrada. Parou de brincar quando outro cachorro, que não conseguia senha para transar com a cadelinha, colocou as duas patas sobre as suas costas e olhou-o como quem diz:
- Se não tem tu, vai de tu mesmo.

Poucos conseguiram ficar bêbados na segunda noite... a consciência pesou!!

Xyko Naia

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