Por volta de 2001 e 2002 tivemos um morador temporário na república, o Giba. Na época ele tinha uma Saveiro branca que servia a república em assuntos sérios e algumas estripulias. Uma dessas bagunças foi a "aquisição" do suporte da tabela de basquete presente na quadra até hoje.
Estávamos bebendo em um dia de semana e conversando sobre a república e suas reformas futuras. Um dos sonhos de consumo era a reativação da tabela de basquete. Ela havia sido arrancada alguns anos antes. O projeto da nova tabela não existia, havia apenas algumas sugestões. No meio do papo, o Previnido lembrou de ter visto uma girafa (suporte da tabela) largada em um terreno na bauxita. Como ninguém além do Previnido havia visto a tal girafa, tivemos que confiar nas informações dadas por ele, mesmo sabendo do seu elevado índice de autismo. Perguntamos onde estava, as dimensões e formato do cano. Ele descreveu como um tubo em "L" que inclusive já possuía o suporte para o tablado com a cesta em uma das pontas. Sobre o peso e tamanho, ele disse que não parecia ser pesado e que tinha o diâmetro de uma perna. A localização era um terreno que sabíamos quem é o dono. Mas de acordo com ele, o tubo estava em posição para ser jogado fora. Nem precisaríamos entrar no terreno pra pegar a sucata.
Como nossa coragem já estava abastecida pela cerveja, na mesma hora quisemos sair para resgatar aquele tubo. Iríamos incrementar os esportes da nossa área de churrasco com uma solução fácil e barata. Juntamos alguns voluntários, preparamos a caminhonete do Giba e partimos para a captura. Na caminhonete fomos eu, Discoteca, Giba e o Previnido. Um outro pelotão foi designado para aguardar na porta da república para que entrássemos rapidamente com a girafa para dentro da república pois, afinal, o tal terreno baldio não era tão baldio assim.
Ao chegar ao local, ficamos abismados com o próprio local e com as dimensões da sucata. A perna que o Previnido usou como referência para descrever o tubo deve ter sido a perna de um elefante. Nós que não perguntamos. Além disso, era extremamente pesado. E precisamos, sim, entrar no terreno alheio (manteremos a identidade do proprietário do terreno sob sigilo). Um lapso de juízo nos fez pensar em desistir, mas rapidamente a cerveja que já tínhamos tomado voltou a prevalecer e resolvemos encarar o desafio.
Preparamos colchões na caçamba do carro e fomos carregar o ferro. Corremos os quatro carregando a girafa e olhando para o lado para ver se não apareceria alguém para nos pegar no flagra. Colocamos no carro e saímos do lugar na mesma hora.
O caminho que fizemos passava pela delegacia da bauxita e ficamos receosos. Mas era inevitável, pois tínhamos decidido descer pela curva do vento para evitar o trânsito já que a girafa não cabia na caçamba e a perna menor ficava toda para o lado de fora. Por sorte, não tivemos nenhum problema no caminho e nem cruzamos com nenhum carro durante a passagem pela curva do vento. Se isso acontecesse, o problema seria grande. Nós estávamos ocupando as duas pistas. Uma com o carro e outra com a girafa. E nós sabemos que lá não tem área de acostamento.
Ao chegar à frente da república alguns moradores já nos esperavam com a porta aberta. Corremos com o tubo para dentro da república, fechamos a porta e apagamos as luzes. Parecíamos os maiores delinqüentes do mundo. Nos sentimos "Os malandros da cidade". Depois de toda essa aventura, essa girafa ainda ficou algum tempo encostada até que a instalamos na quadra.
Pitako
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